ENTREVISTA

Eu, Humberto Campos, estou aqui com o Sr Hirofumi Ikesaki, e é uma honra fazer essa entrevista com este exemplo de vida para todos nós, um grande inspirador na área da beleza.

H.C: Onde V.S. nasceu?

Hirofumi: Eu nasci na Província de Kumamoto, no Japão.

H.C: Quando veio para o Brasil?

Hirofumi: Em 1934, com 5 anos de idade.

H.C: Qual foi sua primeira atividade?

Hirofumi: Como imigrante, e na imigração tínhamos que cumprir obrigações para com o governo, por pelo menos 1 ano, então fomos destinados a um cafezal, no município de Lins, numa fazenda chamada Aparecida.

H.C: Além de seus pais, quem mais veio com V.S.?

Hirofumi: Vieram comigo 4 irmãos. Todos trabalhávamos no cafezal.

H.C: Quando V.S. resolveu trabalhar com cosméticos?

Hirofumi: Nós sofremos muito, principalmente por conta da gerra. O Japão, infelizmente, era aliado da Alemanha, e praticamente adversário do resto do mundo, e no Brasil havia muito preconceito por conta disso. Por isso todo o trabalho destinado a nós era praticamente braçal. Depois do fim da guerra nos mudamos para Maringá (Paraná) e passei a trabalhar num armazém. Com 14 anos comecei a ter gosto por aquilo: vendas, comércio, dinheiro. Quando vim para São Paulo, ainda havia muito preconceito com japoneses, então eu não tinha muitas opções de trabalho. Virei aprendiz de tintureiro. Depois, comprei aquela tinturaria, modernizei e virou a melhor de São Paulo. Então, em 1951, na Liberdade, eu já tinha a loja e comecei com distribuição de produtos de limpeza. Aí percebi que os serviços de beleza eram muito caros, e foi então que, em 1964, comecei a vender cosméticos.

H.C: Em que ano V.S. deu à loja o nome “Ikesaki”?

Hirofumi: Desde o início, em 1951.

H.C: A Ikesaki tem quantos anos?

Hirofumi: Tem 55 anos.

H.C: V.S. tem 5 filhos. Todos eles trabalham contigo?

Hirofumi: Eu tenho mais de 10 empresas e eles trabalham nelas.

H.C: Quantos funcionários ao todo têm suas empresas?

Hirofumi: Aproximadamente 5 mil funcionários e colaboradores.

H.C: V.S. também trabalha no setor hoteleiro. Gosta desse segmento?

Hirofumi: Eu aprendi que todos os serviços que fazemos, temos que gostar de fazer, se não, não vão pra frente.

H.C: O que V.S. gosta de fazer além de trabalhar?

Hirofumi: Além de trabalhar? Outro trabalho. Sempre trabalhando. (risos)

H.C: V.S. é vaidoso?

Hirofumi: Eu era. Sempre quis ter o melhor carro, roupas sob medida. Talvez isso seja vaidade. Mas sempre lutei para ter as coisas.

H.C: Recentemente, perdemos um grande amigo, Osvaldo Alcântara. V.S. tem algo a dizer sobre ele? Hirofumi: Era um homem exemplar, merece medalha do governo. Não havia nenhum homem com tanta sabedoria no setor de beleza brasileiro quanto ele. Muito do meu crescimento, eu devo a ele. Mesmo doente, ele não faltava um dia sequer no trabalho. Um homem notável.

H.C: Como surgiu a ideia de realizar a Beauty Fair?

Hirofumi: Nós começamos a fazer a feira, com a sobrinha do Alcântara Machado. Ocupávamos 1/4 do Anhembi, depois metade e por fim, 100% do espaço. Nenhuma multinacional dava crédito pra nós, então eram as nacionais que participavam. Depois que crescemos, as internacionais começaram a vir.

H.C: O que V.S. achou da revista Profissão Beleza?

Hirofumi: Muito boa. Eu não conhecia, mas é muito importante para engrandecer o setor de beleza

H.C: É difícil manter uma revista por tanto tempo, principalmente agora com a internet. O que V.S. acha disso?

Hirofumi: É realmente muito difícil, e pra sobreviver é preciso muita coragem, muito pulso e muita dedicação e isso, vocês estão enfrentando. Vocês têm muita qualidade pra conseguir dominar esse setor de revistas profissionais.

H.C: V.S. tem uma atuação importante na comunidade japonesa. De qual religião japonesa o senhor participa?

Hirofumi: Nenhuma, porque aí cada um é cada um.


"Essa entrevista foi uma grande vitória na minha trajetória como editor" Humberto Campos.